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Uma passagem, mas sem assento

Uma passagem, mas sem assento


A Argentina precisava de seus apoiadores mais do que nunca. Então, como quase 2.000 deles acabaram sendo barrados do estádio em um de seus maiores jogos?

ELES VIERAM AO estádio vestindo camisetas listradas de azul e branco ou carregando bandeiras. Muitos dirigiram por horas, percorrendo a viagem de mais de 150 milhas entre Buenos Aires e Rosário para ver a seleção argentina de futebol enfrentar o Brasil.

Enquanto esperavam do lado de fora dos portões do Rosario Central Stadium, poucos poderiam ter considerado a possibilidade de não poderem ver o jogo. Eles tinham seus ingressos, comprados e pagos.

Ainda não está claro como ou por que a polícia impediu cerca de 2.000 torcedores com ingressos de comparecer à partida de eliminação da Argentina para a Copa do Mundo contra o Brasil no sábado passado. As autoridades de Rosário culpam a Federação Argentina de Futebol, afirmando que a associação maltratou a logística de ingressos. A AFA está culpando as forças policiais provinciais e locais, alegando que forneceram segurança de má qualidade no estádio.

O que está claro é que os problemas surgiram exatamente na hora errada. O sábado foi um dos jogos mais importantes do ano para a Argentina. Acabaram perdendo de 1 a 3 para os brasileiros.

Diego Maradona, o treinador principal da equipe, havia até mudado o local da partida para maximizar a vantagem da quadra em casa, optando pela aconchegante Rosário na esperança de trazer os torcedores argentinos ainda mais perto de campo. Em vez disso, 2.000 deles acabaram presos do lado de fora.

Escândalo policial pós-jogo

Parece que a má conduta policial pode ter contribuído para causar o caos em Rosário. No início desta semana, o jornal argentino Clarín publicou uma série de fotos que parecem mostrar um homem comprando quatro ingressos para o jogo com o conluio de um policial. As regras do evento limitavam cada comprador a dois ingressos.

Na sequência da publicação das fotos, a polícia provincial de Santa Fé anunciou que prendeu dois policiais após terem sido flagrados revendendo ingressos para o jogo. O diretor de Assuntos Internos, Mario Franco, disse que os policiais, ambos da divisão de investigações do departamento, foram presos depois que a polícia recebeu uma denúncia sobre um par de cambistas.

Embora fosse fácil atribuir os problemas em Rosário a um "típico" enxerto policial sul-americano, parece improvável que algumas ações individuais pudessem ter criado uma lacuna de 2.000 pessoas entre o número de ingressos vendidos e a capacidade do estádio.

Em resposta às detenções, o prefeito de Rosário, Miguel Lifschitz, negou que a culpa seja inteiramente da polícia. Ele disse que, com o estádio já lotado, é mais provável que erros de cálculo da AFA acabem cortando a torcida.

“Evidentemente, havia mais ingressos [vendidos] do que autorizados”, disse ele ao Clarin.

Quebra de contrato

Com muitos fãs entregando somas consideráveis ​​de dinheiro, a Federação Argentina de Futebol disse que oferecerá reembolsos a todos os espectadores que não puderam assistir ao jogo. Para alguns, isso não foi suficiente.

De acordo com La Capital de Rosário, um grupo de 12 portadores de ingressos impedidos de entrar no estádio disseram que planejam processar a AFA, a Unión de Entidades Deportivas y Civiles e o Município de Rosário.

A advogada do grupo, Paula Calace Vigo, disse que pretendem pedir não só a restituição dos preços das passagens, mas também a indenização por “dano moral”.

“A situação é clara: as pessoas pagaram por um evento que não puderam ver”, disse ela. “É uma quebra de contrato.”

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